Alzheimer: o que a Neurologia e a Psiquiatria explicam?
Dr. Fábio Ortega e Dr. Rodrigo Abdo receberam no Dr. Ajuda Cast os médicos Dr. Leonel Takada, neurologista no Hospital das Clínicas de São Paulo, e a Dra. Célia Gallo, psiquiatra especialista em envelhecimento. O tema do bate-papo foi o Alzheimer, uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória, o raciocínio e o comportamento, impactando de forma profunda a vida das pessoas diagnosticadas e de seus familiares.
Com o envelhecimento da população, a condição se tornou um importante desafio de saúde pública, exigindo cada vez mais informação, diagnóstico precoce e cuidado integral.
Alzheimer e demência são a mesma coisa?
De acordo com o Dr. Takada, o Alzheimer é considerado um tipo de demência, porém a demência, em si, está ligada a um conjunto de fatores.
“A demência é uma síndrome, um conjunto de sintomas que as pessoas podem desenvolver devido a alguma lesão no cérebro. Há perda de memória, da capacidade de se localizar, de falar e, junto disso, a pessoa começa a ter também dificuldade para realizar atividades do dia a dia. Entre as causas de demência, a doença de Alzheimer é a mais frequente, entre 60%, 70% dos casos”, explica o neurologista.
No Brasil, em torno de 8% a 9% das pessoas acima de 60 anos têm algum tipo de demência. É uma doença muito mais frequente acima dessa idade, em torno de 1 milhão e 800 mil pessoas com esse diagnóstico atualmente.
“Sabemos que tem uma projeção de que até 2050, isso através de um relatório que foi feito recente pela OPAS, os números podem triplicar, pelo envelhecimento populacional e também pelos diagnósticos que estão sendo feitos cada vez de forma mais adequada”, disse a Dra. Célia.
Envelhecimento x Demência
Conformo o envelhecimento, as lesões degenerativas vão acontecendo. E no caso da doença de Alzheimer, especificamente, são duas as proteínas que a ciência acredita causarem a doença: proteína beta-amiloide e a proteína tau.

“O acúmulo dessas proteínas começa no cérebro 10, 15 anos antes de aparecer os sintomas da doença. Então, é uma doença que vai começar na meia-idade ou um pouquinho na terceira idade. Mas até aparecer os sintomas, ela já vem há muito tempo”, comentou o neurologista, Dr. Takada.
Do ponto de vista clínico, é possível medir se há proteína, como uma forma de prevenção. Mas, para o neurologista, não é recomendável para todo mundo. O exame só é solicitado para pessoas que apresentam sintomas.
Sinais e sintomas do Alzheimer
O principal sintoma é a perda da memória de fatos recentes: a pessoa esquece onde guardou algo; o que acabou de falar; se comeu ou não. Importante dizer que a memória antiga é preservada.
“Não é um esquecimento que você consegue driblar com estratégias. A pessoa começa a não conseguir ter estratégias para relembrar. É muito comum o idoso com demência não ter a percepção de que está com esses esquecimentos, que está repetitivo, que não lembra o que almoçou, o que jantou. Geralmente é a família quem traz na consulta, relatando o que está acontecendo”, explicou a Dra. Célia.
Diagnóstico precoce faz a diferença
É feita uma avaliação cognitiva, com testes de memória, linguagem e outros domínios, que acabam confirmando o esquecimento do paciente. Depois, o médico neurologista parte para a investigação de causas potencialmente reversíveis de perda de memória.
“Pedimos uma ressonância para descartar um tumor, um AVC, exames de sangue. Tem que checar a tireoide, função hepática, função renal, vitamina B12, algumas urologias. Mais recentemente, existem alguns exames que podem mostrar a presença da proteína beta-amiloide, que é uma das proteínas que causa Alzheimer, no sangue ou no líquor”, fala o Dr. Takada.
As emoções como fator de risco

Segundo a Dra. Célia, a depressão crônica não tratada, é um fator de risco muito importante.
“Vemos que pessoas com depressão ao longo da vida, nesse início aí da terceira idade, aumenta a chance de você ter um Alzheimer. Então, assim, a importância de você tratar esse quadro também ajuda a prevenir a demência”, comenta a psiquiatra.
Outros fatores de risco são: histórico na família, baixa escolaridade, perda auditiva, isolamento social e algumas doenças crônicas.
A orientação para a prevenção é praticar atividade física; criar bons relacionamentos; estudar, ler e manter a mente ativa; não fumar; evitar bebida alcoólica; fazer exercício de aritmética; jogar jogos inteligentes.
Alzheimer tem cura? Opções de tratamento
A resposta, infelizmente, é que não tem cura. Na fase bem inicial da doença, são utilizados medicamentos conhecidos por inibidores da acetilcolinesterase, que inibem a enzima que degrada a acetilcolina e, com isso, as sinapses vão ficar funcionando melhor.
“São três diferentes drogas. Em fase moderada, avançada da doença, existe a memantina, que também é um tratamento sintomático. Essas medicações, elas fazem com que os sintomas da doença comecem a progredir um pouco mais devagar, mas não são capazes de reverter nem de tratar de maneira definitiva a doença. Mais recentemente, tem essas medicações novas, os anticorpos monoclonais contra a proteína beta-amiloide. Lembrando que a beta-amiloide é uma das causas da doença de Alzheimer. São medicações que estão chegando aqui agora no Brasil”, conta o Dr. Takada.
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