Dor de barriga: quando ir ao pronto-socorro?
A dor abdominal é um dos motivos mais comuns de procura por atendimento médico no Brasil. Representa cerca de 15% de todas as consultas em prontos-socorros, sendo que aproximadamente 60% desses casos poderiam ser resolvidos em consultas ambulatoriais.
Estudos mostram que 70% das pessoas que procuram ajuda médica com a famosa “dor de barriga” não apresentam condições que realmente necessitem atendimento de emergência. Por outro lado, cerca de 10% das dores abdominais representam, sim, urgências médicas reais, que podem ser fatais se não tratadas rapidamente.
Por isso, saber diferenciar entre sinais de alerta e sintomas que podem esperar é fundamental.
Sinais que indicam urgência médica

De acordo com a Dra. Beatriz Azevedo, cirurgiã do aparelho digestivo, o primeiro sinal de atenção é a dor abdominal intensa e súbita.
“Especialmente se a dor começou de forma repentina e é incapacitante. O segundo sinal é a rigidez abdominal ou barriga dura como tábua. Quando você não consegue relaxar os músculos da barriga e ela fica extremamente endurecida ao toque. O terceiro, dor que piora significativamente com qualquer movimento. O paciente prefere ficar totalmente imóvel porque qualquer movimento intensifica muito a dor. Vômitos persistentes com sangue, seja vermelho vivo ou cor de borra de café são preocupantes. Qualquer presença de sangue no vômito é um sinal de alerta”, fala a médica.
Também são sinais:
- Febre alta acima de 38,5 que não melhora com o uso de medicamentos antitérmicos e acompanhada de dor abdominal intensa.
- Ausência total de eliminação de gases e fezes por mais de 24 horas.
- Dor abdominal acompanhada de desmaios, tontura intensa, palidez extrema, suor frio ou queda da pressão arterial.
- Impossibilidade de beber líquidos ou sinais de desidratação que podemos notar através dos olhos e a boca seca, urina muito amarela ou ausência de urina por mais de 4 horas.
- Sangue nas fezes em grande quantidade ou fezes escuras.
- Dor abdominal após trauma como acidentes, quedas ou pancadas no abdômen.
- Dor abdominal em pessoas com histórico de cirurgias abdominais recentes.
- Dores abdominais em gestantes, idosos ou crianças pequenas.
E quais situações podem aguardar consulta médica no consultório?

“A primeira é dor leve a moderada que permite realizar atividades básicas e não impede o sono. Dor que você consegue tolerar sem grande sofrimento. Sintomas digestivos isolados como azia, queimação no estômago ou sensação de empaixamento após as refeições sem outros sinais de alarme, alterações do hábito intestinal como constipação ou diarreia leve sem sangue, febre ou desidratação e desconforto abdominal associado a gases, distensão leve ou sensação de barriga inchada sem outros sintomas de gravidade”, sinaliza a Dra. Beatriz.
Numa escala de 0 a 10, dores acima de 7 que não melhoram com analgésicos comuns merecem avaliação urgente. Preste atenção à evolução. Dor que piora progressivamente ao longo de horas é mais preocupante do que dor estável há dias. Veja as informações completas!
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