Tétano: como pega e quais os principais riscos?
A vacina antitetânica é amplamente divulgada e essencial à saúde. Mas você conhece o tétano, como pega e quais os principais riscos? Vamos abordar todas as informações nesta matéria.
Como se “pega” tétano?

Essa bactéria é encontrada em alguns lugares do ambiente, como fezes de animais e de seres humanos, na terra, nas plantas, em objetos, principalmente aqueles antigos, enferrujados.
De acordo com a Dra. Juliana Framil, infectologista, adquirimos a doença quando esses objetos contaminados entram em contato com lesões em nossa pele ou mucosas, através de ferimentos, arranhões, cortes, mordidas de animais, entre outros. Dessa forma, a bactéria penetra no organismo, liberando suas toxinas e provocando o chamado tétano acidental, aquele que é adquirido através de um acidente com um objeto contaminado.
Grupos de risco
A médica conta que pessoas que sofreram queimaduras, ferimentos ou que tenham história de abuso de drogas injetáveis são as de maior risco para desenvolver o tétano.
“Porém, o tétano pode acontecer após ferimentos triviais ou até mesmo inaparentes. A infecção também pode comprometer o útero depois do parto, causando o tétano materno e o coto umbilical do recém-nascido. Isso leva ao tétano neonatal, que costumam ser resultados de um parto ou de cuidados com o coto umbilical sem a higiene necessária”, explica.
Diabetes e história de imunossupressão também são fatores de risco.
Mas e depois do contato com a toxina da bactéria, quais são os sintomas do tétano?
Os sintomas do tétano geralmente começam cerca de 5 a 10 dias depois da lesão, mas podem ter início até 50 dias depois.
A toxina produzida pela bactéria ataca principalmente o sistema nervoso central, e o paciente apresenta rigidez muscular e dor em todo o corpo, contraindo involuntariamente a musculatura.
“Essas contraturas são desencadeadas pelo toque, barulho, movimentação, qualquer estímulo externo, por menor que seja. O tétano é frequentemente chamado de mandíbula travada, porque esses espasmos fazem com que os músculos da mandíbula e do pescoço se contraiam e se travem, dificultando a abertura da boca ou a deglutição. A face pode ficar congelada em um sorriso com as sobrancelhas erguidas, e os espasmos também afetam o ombro, face e o abdômen”, comenta a médica.
Os músculos das costas também podem se contrair, fazendo com que as costas, o pescoço e as pernas se arqueiem para trás, posição típica do paciente com tétano grave.
Os espasmos dos esfíncteres musculares podem causar constipação e dificuldade para micção, e esses espasmos ou movimentos involuntários levam a uma contratura muscular que pode atingir os músculos respiratórios e colocar em risco a vida.
Como é feito o diagnóstico de tétano, existe algum exame?
O diagnóstico do tétano é clínico, ou seja, não depende da confirmação laboratorial.
“Por isso, na presença dos sinais e sintomas característicos do tétano após uma lesão de pele ou de mucosas, é fundamental procurar imediatamente o atendimento médico e contar como aconteceu e o que causou a lesão”.
E o tétano tem tratamento?
Uma vez instalada a doença, são realizados antibióticos, relaxantes musculares, sedativos, a depender da progressão do quadro. Pode ser necessário a utilização de aparelhos para suporte respiratório e o paciente pode precisar de novas abordagens cirúrgicas na região da ferida.
“O tratamento costuma acontecer em ambiente de unidade de terapia intensiva, com a monitorização contínua. Se a infecção não for tratada corretamente, pode matar. As chances de óbito dependem da idade, do tipo de ferimento, além da presença de outros problemas de saúde, como complicações respiratórias, renais e infecciosas”, explica a infectologista.
Apesar de potencialmente grave, com o tratamento, boa parte das pessoas se recupera.
Tétano: é possível prevenir

A prevenção ainda é a melhor forma de tratar a bactéria. Com a vacinação, ao longo dos anos, os casos notificados de tétano caíram mais de 95% e as mortes por essa doença caíram mais de 99% nos Estados Unidos.
“Você sofreu um ferimento de risco e a primeira medida para evitar o desenvolvimento da doença é limpar cuidadosamente com água e sabão para evitar a penetração da bactéria. Em seguida, é importante procurar um atendimento médico no momento do ferimento. A equipe médica irá realizar a limpeza da ferida, retirar os tecidos mortos e corpo estranho quando presente. E esse atendimento inicial é fundamental para que o médico avalie a indicação da vacinação e a realização de imunoglobulina ou soro antitetânico. Ambos são aplicados com a finalidade de neutralizar a toxina produzida pela bactéria”, pontua.
O ideal é que, no momento desse contato com a bactéria, a pessoa esteja adequadamente vacinada contra o tétano. Somente assim é possível prevenir o surgimento e agravamento da doença.
As vacinas contra o tétano estão disponíveis pelo SUS e são super seguras.
No primeiro ano de vida, são aplicadas três doses da vacina pentavalente. Ela protege contra o tétano, coqueluche, difteria, hepatite B e hemófilos influenza do tipo B. Os pequenos recebem as doses aos 2, 4 e 6 meses. O reforço é feito com a vacina tríplice bacteriana, que protege contra o tétano, difteria e coqueluche, aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
A partir de então, todos precisam tomar os reforços a cada 10 anos. Ele costuma ser feito com uma vacina que protege contra o tétano e a difteria. Em casos de ferimentos graves, o reforço deve ser antecipado para 5 anos.
As gestantes possuem recomendação de uma dose da vacina DTPA a cada gestação. Essa vacina também protege contra o tétano, difteria e coqueluche. A vacina deve ser aplicada a partir da 20ª semana para a prevenção dos recém-nascidos contra o tétano neonatal, que pode acontecer até os primeiros 28 dias de vida.
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