Cocaína: entenda os efeitos no corpo e na mente

A cocaína é uma droga estimulante derivada das folhas de coca, uma planta cultivada há milhares de anos na América do Sul. Ela já foi usada como anestésico local e até esteve presente em medicamentos no início do século XX. Mas com o tempo, descobriu-se que é uma substância altamente viciante e perigosa para a saúde. Hoje, ela tem a aparência de um pó branco, que é geralmente aspirado pelo nariz, mas também pode ser misturado em água e injetado nas veias.
O uso de cocaína é um sério problema de saúde pública no Brasil e no mundo. De acordo com a médica psiquiatra, Dra. Karina Abumasser, o último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, o LENAD-3 da Unifesp, feito em 2023, mostrou que 5,38% da população com mais de 14 anos já experimentou cocaína. Ou seja, mais ou menos 1 em cada 20 pessoas com mais de 14 anos já experimentou a droga. “Em números absolutos, aproximadamente 11,4 milhões de brasileiros. De acordo com o estudo, 1,2 milhão de brasileiros relata dependência de cocaína e ou crack. Mas apenas 1 em cada 10 diz se ter procurado tratamento”, salienta.
Mas afinal de contas, quais são os efeitos da cocaína?
Quando uma pessoa usa cocaína, seus efeitos aparecem quase imediatamente. Ela aumenta rapidamente a dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação.
Isso causa uma sensação intensa de euforia, energia e alerta. A pessoa pode se sentir poderosa, autoconfiante e com um bem-estar imediato. Mas esse efeito é curto.
“Dura de alguns minutos até meia hora mais ou menos. Depois vem a queda e junto dela a vontade de usar novamente. É esse ciclo que favorece o desenvolvimento da dependência. Outros efeitos imediatos que a cocaína pode causar é aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, insônia e falta de apetite. Ansiedade, irritabilidade e crises de pânico”, explica a Dra. Karina.
Algumas pessoas têm a sensação de que a cocaína ajuda a fazer as coisas de forma mais rápida e eficaz. Enquanto outras têm a sensação oposta de não conseguir realizar nenhuma atividade bem feita. Paranoia pode acontecer com alguns usuários, que é a sensação de estar sendo perseguido ou observado.
“Alucinações auditivas, ou seja, ouvir vozes e sons que não são reais, também pode ser um dos efeitos. Em doses maiores ou dependendo do estado de saúde da pessoa, a cocaína pode provocar arritmias, convulsões, AVC, infarto e em alguns casos essas condições podem levar à morte. À medida que a pessoa vai usando com frequência, vão surgindo outros efeitos”, explica.
Quem cheira pode ter perda de olfato, sangramentos e lesões no nariz. Há um maior risco de problemas cardiovasculares como AVC, infarto e outros problemas de circulação. Pode haver problemas gástricos como úlceras e isquemia de intestino.
O usuário pode ter perda de peso importante, alterações de sono, de atenção e memória. Acontecem também transtornos de humor como a depressão e quadros de psicose em quem já tem alguma predisposição. Além disso, a principal consequência do uso repetido é que o cérebro passa por mudanças que aumentam a dificuldade de controlar o uso, favorecendo o quadro de dependência da cocaína.
E os efeitos sociais?

Quando a pessoa fica dependente, o corpo cria tolerância à droga e a pessoa passa a usar cada vez em maior quantidade e em maior frequência para obter o efeito desejado ou para aliviar sintomas de abstinência. As tentativas de parar, diminuir ou controlar o uso começam a fracassar e a pessoa começa a gastar mais tempo do que deseja usando ou se recuperando dos efeitos. “Ela tende a se afastar de amigos e familiares, deixar de lado outras atividades sociais e de lazer, pois não consegue mais sentir prazer nessas atividades. Isso tudo começa a interferir também no trabalho, nos estudos, no controle das finanças, nos cuidados com a casa e até com a própria saúde e aparência. A cocaína é uma droga bastante poderosa e pode trazer consequências graves para algumas pessoas”, comenta a psiquiatra.
Como tratar a dependência em cocaína
O tratamento ideal vai depender das características de cada caso, mas em geral envolve o acompanhamento por uma equipe multiprofissional, com profissionais das áreas da psiquiatria, psicologia, terapia ocupacional, assistência social, enfermagem, entre outros.
Ainda não existe um remédio específico aprovado para tratar a dependência em cocaína, mas algumas medicações podem ajudar no controle da impulsividade de alguns sintomas de abstinência.
“Medicações também podem ser úteis para tratar outras condições psiquiátricas associadas, como a depressão e o transtorno de ansiedade. No Brasil, o SUS oferece tratamento nos CAPS-AD, Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas, que são serviços especializados em acolher e tratar pessoas com dependências, contando com equipe multiprofissional e medidas de apoio ao paciente e às famílias”, finaliza a médica.
Se você é uma pessoa que está tentando parar com a cocaína e não consegue, procure ajuda profissional. Agora, se você conhece alguém que está passando por problemas assim, evite julgamentos e falas moralistas. O melhor a fazer é apoiar e incentivar a busca por tratamento.
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