O que a endometriose pode causar?
Estima-se que no Brasil, 1 em cada 10 mulheres tem esse problema. E você deve estar se perguntando: o que a endometriose pode causar? Vamos explicar tudo nesta matéria.
O que é a endometriose?

Segundo informações do Ministério da Saúde, a endometriose é uma doença caracterizada pelo desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais (partes do tecido que reveste o útero internamente) fora da cavidade uterina. Esse deslocamento do tecido pode provocar uma reação inflamatória crônica, com taxa de prevalência estimada entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Conheça os sinais e sintomas
Sentir cólica no período menstrual pode ser considerado algo comum. Mas se essa cólica for muito intensa, e durar mais tempo do que o normal, precisa de investigação.
Além disso, outro sintoma que pode surgir é a dor de barriga e durante a relação sexual. É o que explica a Dra. Denise Yanasse, ginecologista e uma das fundadoras do Dr. Ajuda.
“A endometriose pode ser a causa de dor que normalmente não ocorre num ato da penetração, e sim na profundidade. Além disso, ardência ou sangramento na urina no período menstrual, diarreia, constipação ou dor pré-evacuar, sangue nas fezes e que pioram quando você menstrua também podem ser sintomas da doença. A infertilidade na mulher é outro assunto muito importante de salientar. A doença é um dos principais motivos para esta condição”, comenta a médica.

Outra característica bem marcante é a piora dos sintomas durante a menstrução. No ciclo normal, um óvulo se desenvolve no ovário e se desprende desse, caindo nas tubas uterinas e percorrendo o trajeto até o útero. Enquanto está ocorrendo esse processo, o útero está se preparando para acomodar um possível embrião. A camada mais interna do útero, chamada endométrio, aumenta de tamanho e fica cheio de vasos sanguíneos. Se não ocorrer a gravidez, o processo é finalizado, todo esse endométrio se solta do útero, causando sangramento. E tudo isso sai junto com o óvulo na menstruação. Toda essa sequência de eventos é coordenada por uma série de hormônios.
“Na endometriose, existe esse tecido do endométrio fora do útero. Normalmente, podem estar juntos aos ovários, nos ligamentos atrás do útero, nas tubas uterinas ou outros órgãos que estão próximos ao útero, como a bexiga ou o intestino. Raramente, esse tecido endometrial está longe da bacia”, e continua. “Sendo endométrio, esse tecido que está fora do útero também segue os comandos dos hormônios, nos ciclos menstruais. Então, isso significa que ele também aumenta de tamanho, fica cheio de vasos sanguíneos e depois rompe, causando sangramento. Só que, diferente do endométrio do útero, ele não tem como sair, ele fica preso”, explica a Dra. Denise.
Essa é a fase que causa mais sintomas. O sangue misturado com as células do endométrio pode irritar os órgãos ao redor e assim desencadear um processo de inflamação no local, que, se progredir, pode gerar uma cicatriz, chamada de fibrose.
“Essa fibrose, muitas vezes, gera aderências, grudando estruturas que estão à sua volta, um órgão ao outro, um órgão no músculo e todo esse processo de crescimento e depois sangramento desse tecido endometrial, com eventual inflamação dos órgãos e cicatrização, ocorre todo mês, seguindo os hormônios que coordenam o ciclo menstrual”, diz a ginecologista.
É justamente por isso que os sintomas também são cíclicos. Esses sintomas podem variar a depender do local onde está esse tecido endometrial. Então, se a paciente tem tecido endometrial na bexiga, vai ter sintomas para urinar, por exemplo. Quando está na trompa, pode causar infertilidade.
Mas um ponto importante: a endometriose não afeta a fertilidade apenas quando esse tecido endometrial está obstruindo a trompa.
“A endometriose pode interferir em processos imunológicos, que também podem prejudicar a fecundação e a implantação do embrião no útero”.
O que causa a endometriose?

A Medicina não sabe ao certo o que ocorre. Existem várias teorias para explicar. Uma das principais é que parte das células do endométrio podem entrar na tuba uterina e acabar caindo na barriga, e se implantando no ovário, na própria tuba, no útero ou em outros órgãos. Outros estudos mostram que alterações no sistema imunológico também parecem ter papel importante na origem da doença.
“Apesar de não saber a causa, sabemos que tem mulheres que tem maior risco de ter esse problema, a depender dos fatores de risco. Dentre eles estão a menstruação muito cedo, não ter filhos, intervalo entre um ciclo menstrual e outro menor que 27 dias, o que faz com que você tenha ciclos muito frequentes”, pontua a Dra. Denise.
Menstruações que duram mais de 7 dias; histórico familiar de endometriose, principalmente mãe, tia ou irmã; problema do sistema reprodutor que pode prejudicar a menstruação, como hímen imperfurado ou alguma anormalidade uterina, também podem ser fatores de risco.
Diagnóstico de endometriose
O diagnóstico definitivo de endometriose é feito por biópsia. O médico retira uma parte do tecido da área suspeita, normalmente em uma cirurgia, e manda para análise.
“Se confirmar o tecido endometrial fora do útero, está definido o diagnóstico. Na prática, muitas vezes não é feito. Se os sintomas forem sugestivos e os exames de imagem, como ressonância magnética e ultrassons, também sugerirem o problema, pode-se presumir o diagnóstico e, a partir daí, indicar o tratamento”, diz a médica.
Endometriose tem cura?
Os médicos preferem falar em controle da doença, o que, na prática, significa que, tratando com terapias hormonais ou cirurgia, é possível ter redução dos sintomas e melhora na qualidade de vida.
ASSISTA AO VÍDEO COMPLETA:
Se inscreva no canal do Doutor Ajuda, no Youtube, clicando aqui!
