O que é HPV e como funciona a vacina?

Estima-se que, considerando a população em geral, uma em cada quatro mulheres tem HPV. Nos homens é o dobro, um em cada dois tem o vírus.Se avaliarmos a população sexualmente ativa, esse número chega a mais de 80%.

Segundo o Ministério da Saúde, o HPV (papilomavírus humano) é um vírus que afeta a pele e as mucosas, sendo a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo.

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Mas não é porque você foi infectado, ou seja, não é porque você pegou o vírus, que terá a doença. É o que explica a Dra. Helena Rangel, infectologista.

“O vírus pode causar a doença, mas também pode ficar presente no seu corpo e permanecer silencioso ou latente, sem aparecer. Ou pode, ainda, ser eliminado. A maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo seu sistema imune, que é o seu sistema de defesa. Nesses casos, há a regressão da infecção entre seis meses a dois anos após a exposição, principalmente entre as mulheres mais jovens”, comenta a médica.

Porém, cinco em cada cem pessoas passam a ter a doença em algum momento da vida, geralmente entre dois meses e vinte anos após a infecção.

Sintomas do HPV

O vírus pode se manifestar com lesões benignas, como verrugas pequenas e imperceptíveis, também parecidas com uma crista de galo, figueira, couve-flor ou condilomas, sendo os locais mais comuns de aparecimento a vulva, a vagina, o colo do útero, região perianal, ânus, pênis, geralmente na glande, bolsa escrotal e ou a região pubiana.

Menos frequentemente, elas podem estar presentes em áreas extragenitais, como as conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea.

“Essas manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e em pessoas com a imunidade baixa, mas que fique claro, qualquer pessoa pode ter. Pode se manifestar ainda associado a algumas doenças malignas, ou seja, o câncer. Nem todos sabem, mas o HPV tem relação com quase 100% dos casos de câncer de colo de útero, 85% dos casos de câncer de ânus e 35% dos casos de orofaringe, além de 23% da boca”.

Mas, de acordo com a infectologista, a maioria das pessoas com HPV não terá câncer.

Normalmente, entre a infecção e o início da doença, demora mais de 10 anos.

“Muitas pessoas acham que porque tem as verrugas genitais, vão ter câncer relacionado ao HPV. Isso não é verdade. Existem mais de 150 subtipos de HPV. Os subtipos que causam a verruga e câncer são diferentes”, explica.

E como o HPV é transmitido?

O vírus é transmitido principalmente por via sexual, que inclui contato orogenital, genital-genital ou mesmo manual genital.

“O contato pele com pele já pode transmitir, por isso usando camisinha, você diminui o risco de pegar, mas ainda assim pode se infectar pelo contato pele com pele com as áreas não cobertas pelo preservativo. É possível, também, transmitir HPV mesmo sem ter lesão ou qualquer outro sintoma”, diz a médica.

Até o momento não existe nenhuma comprovação de que a contaminação possa acontecer por meio de objetos, do uso de vaso sanitário ou piscina, ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.

Vacina contra o HPV: como evitar o vírus

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A primeira e mais importante forma de evitar a contaminação pelo vírus do HPV é a vacinação.

Existem diferentes tipos de vacina que protegem contra 2 a 9 tipos do vírus, sendo capaz de prevenir até 90% dos cânceres de colo de útero.

“Essas vacinas são recomendadas para meninas a partir de 9 anos e meninos a partir de 11 anos, idade com alta taxa de resposta e que meninos e meninas normalmente não tiveram atividade sexual e, portanto, não tiveram contato com o vírus. É recomendada também para pacientes com alguma imunodepressão, como pacientes oncológicos, transplantados ou que vivem com HIV-Aids. Nesse caso, até a idade de 26 anos”, pontua a Dra. Helena.

Como a vacina é relativamente recente, muitas pessoas não foram vacinadas e já iniciaram atividade sexual. E, para essas pessoas, a vacina também pode ter benefício.

“Como a vacina protege contra mais de um tipo de HPV, a pessoa pode se beneficiar. Essas vacinas são oferecidas gratuitamente pelo SUS ou em clínicas privadas. Os critérios para vacinação, número de doses e outras informações podem ser obtidas no portal do Ministério da Saúde”.

O uso camisinha nas relações sexuais também é uma forma de prevenir a infecção. Mas lembrando que pode ocorrer transmissão de HPV em áreas não cobertas pelo preservativo.

O HPV tem tratamento?

Ainda não há medicamentos que combatam este vírus.

“O que temos são tratamentos para tratar as doenças que o HPV pode causar. Você pode tratar as verrugas quando essas surgirem e deve ficar atento aos cânceres relacionados ao HPV para descobrir e tratar o mais precoce possível”, sinaliza a infectologista.

Se você notou alguma lesão suspeita, está nos grupos indicados para vacina e rastreamento ou tem alguma dúvida sobre isso, não deixe de procurar o seu médico, que pode ser um clínico geral, infectologista, ginecologista ou urologista.

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