Você sabe o que é o linfoma?
O linfoma é um tipo de câncer do sistema linfático, que pode acontecer em qualquer momento da vida, sem escolher sexo, idade e classe social. A doença afeta um tipo de glóbulo branco (célula de defesa), chamado de linfócito, e que está presente em várias partes do corpo, principalmente nos linfonodos.
Entenda o sistema linfático

De acordo com o Dr. Thales Dalessandro, hematologista, o sistema linfático é uma rede complexa de vasos que estão distribuídos por todo o corpo e tem como principal função participar da defesa do organismo.
“Na circulação sanguínea, o sangue sai do coração para o resto do corpo por vasos que chamamos de artérias. Todo esse líquido que está distribuído pelo corpo volta para o coração por dois tipos de vasos, que chamamos de veias e de vasos linfáticos. Junto a esses vasos linfáticos, existem pequenas estruturas do tamanho de um feijão, chamadas de linfonodos. Eles também são conhecidos como nódulos, gânglios, ou quando estão aumentados, são popularmente chamados de ínguas. Eles são formados basicamente por um tipo de glóbulo branco, que é uma célula de defesa, chamada linfócito, e que funciona como se fosse uma ‘delegacia’. Cada região tem a sua, e se passar por ali algum vestígio de agente agressor, essas células que se concentram nesses pontos vão sinalizar o sistema de defesa como um todo”, explica.
E como o linfoma acontece?
Nesse processo, os linfonodos envolvidos podem aumentar de tamanho e ficar doloridos, porque as células estão trabalhando mais naquele local. É o que acontece, por exemplo, nos casos de amigdalite: você tem uma infecção de garganta, a bactéria ou vírus é identificada no linfonodo do pescoço e dessa forma fica aumentado, muitas vezes visíveis e dolorosos. São as chamadas ínguas.
“Esse processo de vigilância funciona 24 horas por dia, desde o dia que você nasceu. E para manter a atividade, os linfócitos são células que se multiplicam e se diferenciam bastante. Se algo de errado acontece na maquinaria de controle desses linfócitos, como uma mutação ou qualquer outra mudança genética, aí podem surgir os linfomas”, diz o médico.
Nos linfomas, as células se multiplicam mesmo sem os estímulos infecciosos. Os linfócitos doentes passam a ser produzidos sem controle, de maneira exagerada, ou podem não morrer quando deveriam e vão assim se acumulando e se espalhando pelo sistema linfático. Isso pode acontecer em qualquer parte do corpo, na qual existem as maiores concentrações de linfócitos, quei inclui o baço, a medula óssea, o timo e principalmente os linfonodos. É exatamente por isso que um dos principais sintomas do linfoma são os linfonodos aumentados pelo corpo.
Quando você deve suspeitar que tem linfoma?

Se o linfoma ocorrer nos linfonodos que estão mais internos, por exemplo, no tórax ou no interior do abdômen, eles não vão ser visíveis. Isso só vai ser descoberto quando eles estiverem grandes o suficiente para comprimir e comprometer o funcionamento de outros órgãos ao seu redor. Em grande parte das vezes, o linfoma é identificado em lugares que têm muitos linfonodos no corpo e ficam mais próximos à pele, como o pescoço, as axilas e as virilhas.
“Aqui cabe um esclarecimento. Quero deixar claro que na imensa maioria das vezes que os linfonodos ficam aumentados, isso se deve a alguma inflamação ou infecção local, e não por linfoma. Você deve suspeitar de linfoma se notar nódulos que estiverem crescendo progressivamente. E além disso, existem outros sintomas que podem estar associados e, portanto, merecem também ser investigados mais de perto. Você está perdendo peso? Você está suando demais à noite? Esses podem ser sinais a seres investigados”, comenta o Dr. Thales.
Além disso, febre alta e persistente, coceira pelo corpo, cansaço extremo, aumento do baço (que fica do lado esquerdo do abdome) também devem despertar alertas.
E qual a causa do linfoma?
Não há uma causa específica para a doença. Apesar disso, há fatores de risco que podem aumentar a chance de uma pessoa ter linfomas. Dentre eles, a idade.
Como acontece com a maioria dos cânceres, quanto maior a idade, maior o risco. Os linfomas de Hodgkin, uma classe especial de linfomas, têm dois picos de incidência: adultos jovens e idosos.
Os linfomas não-Hodgkin, embora possam ocorrer em qualquer idade, aumentam sua incidência conforme a idade aumenta. Doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatóide, também aumentam o risco de linfomas. “É comum em quem faz transplantes de órgãos e usa medicações imunossupressoras para não rejeitar o órgão transplantado. E algumas infecções, como a causada pelo vírus HIV, pelo vírus Epstein-Barr, que é a causa da mononucleose, e pelo vírus HTLV, também”, explica o hematologista.
Diagnóstico precoce faz a diferença
Normalmente o diagnóstico é feito por biópsia do linfonodo suspeito. Se retira uma parte ou todo o linfonodo aumentado e envia para um médico patologista, que vai olhar o linfonodo no microscópio e dizer se naquele linfonodo há ou não linfoma.
“Quando a gente fala sobre linfomas, de modo geral, estamos falando de uma família muito grande de doenças. E com o avanço da medicina, descobrimos que, na verdade, há vários subtipos diferentes deles. E que cada um deles tem peculiaridades importantes no tratamento. Existem vários subtipos de linfomas agrupados em dois grandes grupos, os linfomas de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin. Ambos os grupos são linfomas, mas têm características e tratamentos muito diferentes”.
Uma vez feito o diagnóstico, é fundamental entender a extensão da doença. Isso também tem forte implicação no tratamento, que pode incluir quimioterapia, radioterapia, até o uso de antibióticos e, em alguns casos, transplante de medula óssea. Com esses tratamentos, é possível em alguns casos curar linfoma, principalmente se a doença for diagnosticada na fase inicial.
É por isso que se você notou algum dos sintomas mencionados, procure um médico!
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