Qual a melhor idade para congelar óvulos?

O tempo tem um impacto diferente para as mulheres que querem engravidar. Isso porque o potencial reprodutivo começa a diminuir naturalmente, e essa redução se acelera após os 35 anos. Embora os especialistas não indiquem uma idade específica para congelar óvulos, sabe-se que, quanto antes a mulher realiza o procedimento, maior tende a ser o potencial reprodutivo dos óvulos congelados.
De acordo com o Dr. Luiz Henrique, ginecologista especialista em reprodução humana, aos 30 anos a chance de infertilidade é de cerca de 10%. Ou seja, 1 em cada 10 mulheres terão infertilidade.
Aos 35 anos, essa chance sobe para 15% a 20%. Ou seja, aproximadamente 1 em cada 5 mulheres terão dificuldade para engravidar. E aos 40 anos, pode chegar a 35%, o que equivale a mais ou menos 1 em cada 3 mulheres.
“Quanto maior a idade da mulher, menor a chance de engravidar. E quando ela engravida, maiores são as chances de um aborto. O congelamento de óvulos é uma técnica da medicina reprodutiva que permite que mulheres preservem sua fertilidade para um momento futuro”, explica o médico.
Quando congelar os óvulos?
Quando a mulher congela os óvulos aos 30 anos, por exemplo, eles mantêm a mesma qualidade e potencial de gravidez dessa idade, mesmo que ela os utilize anos depois.
“Dois órgãos são fundamentais nesse processo. Os ovários, onde os óvulos estão armazenados, e o útero, que recebe e abriga o embrião durante a gestação. Com o tempo, a qualidade dos óvulos diminui, mas o útero mantém sua capacidade funcional, mesmo com o passar dos anos. Por isso, ao congelar seus óvulos, a mulher está preservando a chance de gerar uma gravidez, mesmo que venha a engravidar mais tarde”, comenta o Dr. Luiz Henrique.
Quem deve considerar o congelamento de óvulos?
Mulheres que desejam postergar a maternidade, e estão se aproximando dos 35 anos, são as principais candidatas. Mas mesmo após os 35 anos, os óvulos de uma mulher ainda têm melhor qualidade hoje do que terão no futuro. As mulheres que serão submetidas às cirurgias ovarianas para tratar cistos ou nódulos nos ovários, especialmente quando são bilaterais, e aquelas com diagnóstico de câncer que precisarão de quimioterapia, também são parte deste grupo.
E como é feito o congelamento de óvulos?

O tratamento envolve duas etapas principais e dura, em média, cerca de 14 dias.
Na primeira etapa, a mulher realiza a hiperestimulação ovariana com medicações aplicadas de forma subcutânea, associadas ou não a medicamentos via oral. A duração é de aproximadamente 10 dias e o monitoramento feito por ultrassom.
O normal de um ciclo menstrual é que a mulher recrute e ovule apenas um óvulo por ciclo. Com a hiperestimulação, é possível recrutar um número maior de óvulos, que vai depender da reserva ovariana naquele momento. A estimulação ovariana pode recrutar 5, 10 ou, em alguns casos, mais de 30 óvulos.
A segunda etapa é a coleta dos óvulos. É um procedimento realizado sob sedação em centro cirúrgico especializado, e dura cerca de 10 a 15 minutos. Ainda no mesmo dia, os médicos especialistas conseguem identificar quantos óvulos maduros — ou seja, quantos óvulos de boa qualidade — o processo efetivamente congelou.
“Os óvulos ficam congelados em tanques de nitrogênio líquido a menos 196 graus Celsius e podem ficar armazenados por tempo indeterminado, sem perda de qualidade. Quando a mulher decidir engravidar no futuro, os óvulos congelados serão descongelados e fertilizados em laboratório em um processo chamado de fertilização in vitro. Os óvulos são colocados em contato com os espermatozoides, que podem ser do parceiro ou de um doador”, diz o médico.
E quantos óvulos devem ser congelados?
Importante dizer que também não existe um número mínimo ou máximo obrigatório de óvulos que podem ser congelados. Cada mulher responde de forma diferente à estimulação.
Mulheres com baixa reserva ovariana podem precisar repetir o ciclo até atingir um número mínimo confortável de óvulos. Já mulheres com boa reserva podem congelar uma grande quantidade de óvulos em apenas um ciclo.
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