Vitamina B12: quem realmente precisa suplementar?

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Nos últimos anos, a suplementação de vitamina B12 ganhou espaço nas redes sociais e passou a ser associada, muitas vezes, a promessas de mais energia, disposição e melhora do cansaço. Injeções mensais e suplementos passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas, mas será que todo mundo realmente precisa repor essa vitamina?

Segundo a Dra. Fernanda de Oliveira Santos, hematologista, a resposta é não. O uso indiscriminado pode, inclusive, atrapalhar o diagnóstico de problemas mais importantes.

O que a vitamina B12 faz?

Antes de entender quem precisa suplementar, é importante compreender o papel fundamental da vitamina B12 no organismo. Também chamada de cobalamina, ela participa de funções essenciais para o funcionamento do corpo, especialmente na produção das células sanguíneas e na saúde do sistema nervoso.

“A vitamina B12 é essencial para duas funções vitais: a produção dos glóbulos vermelhos no sangue e o funcionamento adequado do sistema nervoso”, explica Dra. Fernanda.

No sangue, a vitamina atua em conjunto com o ácido fólico no processo de fabricação do DNA e na formação de hemácias saudáveis. Quando existe deficiência, essas células passam a ser produzidas de forma anormal, tornando-se maiores e defeituosas, o que pode levar ao desenvolvimento de um tipo específico de anemia conhecido como anemia megaloblástica.

Já no sistema nervoso, a vitamina B12 é indispensável para a manutenção da bainha de mielina, estrutura que funciona como uma camada protetora ao redor dos nervos e garante a transmissão adequada dos impulsos nervosos.

“Sem essa proteção, os nervos deixam de funcionar adequadamente e, em alguns casos, podem sofrer danos permanentes ou irreversíveis”, alerta a especialista.

Mitos sobre vitamina B12

A popularização da suplementação também trouxe uma série de informações incorretas. Uma das mais comuns é a ideia de que tomar vitamina B12 melhora automaticamente a disposição e combate o cansaço em qualquer situação. De acordo com Dra. Fernanda, isso não é verdade.

“A vitamina B12 só melhora sintomas como cansaço quando existe uma deficiência real. Se os níveis já estão normais, tomar mais vitamina não vai gerar energia extra nem aumentar desempenho físico”.

Outro mito bastante difundido é que todas as pessoas precisariam de injeções regulares de vitamina B12.

Na prática, a maioria das pessoas que mantém uma alimentação com produtos de origem animal, como carnes, ovos e laticínios, costuma apresentar níveis adequados e não necessita suplementação.

A crença de que apenas a versão injetável funciona também não se sustenta para a maior parte dos casos.

“As injeções são indicadas principalmente quando existe dificuldade de absorção. Para a maioria das pessoas, a suplementação oral costuma funcionar muito bem”, explica a médica.

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Quem realmente precisa suplementar?

Embora nem todos precisem de reposição, existem situações específicas em que a suplementação é recomendada ou até indispensável.

Entre os principais grupos de risco estão pessoas que seguem dieta vegetariana estrita ou vegana, já que a vitamina B12 está presente praticamente apenas em alimentos de origem animal.

“Quem não consome carne, ovos ou laticínios precisa suplementar. Não existe fonte vegetal capaz de fornecer vitamina B12 em quantidade suficiente”, destaca a hematologista.

Pacientes que passaram por cirurgia bariátrica ou tiveram parte do estômago removida também precisam de atenção especial, já que esses procedimentos comprometem diretamente a absorção da vitamina.

Idosos acima de 60 anos representam outro grupo de risco importante, uma vez que o envelhecimento reduz naturalmente a produção de ácido no estômago, dificultando a absorção da vitamina presente nos alimentos.

Além disso, o uso prolongado de alguns medicamentos também pode interferir nesse processo.

“Medicamentos como a metformina, usada no tratamento do diabetes, e remédios para gastrite ou refluxo, como omeprazol e similares, podem reduzir gradualmente a absorção da vitamina B12 e favorecer o surgimento da deficiência ao longo do tempo”, explica Dra. Fernanda.

Também merecem acompanhamento pessoas com doenças autoimunes, como anemia perniciosa, ou doenças intestinais que comprometem a absorção de nutrientes, como doença de Crohn e doença celíaca.

Naturalmente, pacientes que já apresentam exames confirmando deficiência devem iniciar tratamento conforme orientação médica.

Quais sintomas podem indicar deficiência?

Os sinais da deficiência de vitamina B12 nem sempre aparecem de forma óbvia e podem ser confundidos com outros problemas de saúde.

Entre os sintomas mais frequentes estão cansaço extremo, fraqueza persistente, formigamento ou dormência nas mãos e pés, sensação de agulhadas, alterações de memória, dificuldade de concentração e confusão mental.

Em pessoas mais velhas, esses sintomas neurológicos podem inclusive ser confundidos com quadros de demência.

Também podem surgir alterações no equilíbrio, língua avermelhada ou inchada com sensação de queimação na boca, além de mudanças de humor, irritabilidade e sintomas depressivos.

“Em alguns casos, principalmente quando existem manifestações neurológicas, os sintomas podem aparecer antes mesmo de alterações importantes no hemograma ou do desenvolvimento de anemia”, explica a especialista.

Quando comprimidos resolvem e quando a injeção é necessária?

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O tratamento depende diretamente da causa da deficiência. Quando o problema está relacionado apenas à alimentação inadequada, a suplementação por comprimidos costuma ser suficiente.

Por outro lado, quando existe dificuldade de absorção, como nos casos de anemia perniciosa, doenças intestinais ou após cirurgias digestivas, a reposição geralmente precisa ser feita por injeções intramusculares ou formulações sublinguais.

“Normalmente iniciamos com doses mais frequentes e, posteriormente, passamos para um esquema de manutenção mensal, dependendo da causa da deficiência”, explica Dra. Fernanda.

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Sinais de falta de Vitamina B12: Quem realmente precisa de injeção ou comprimido?