Qual a diferença entre o câncer de próstata o aumento benigno da próstata?

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Estamos em pleno Novembro Azul, mês de conscientização sobre a saúde masculina. O câncer de próstata e o crescimento benigno da próstata são condições algumas das condições que podem acontecer nos homens, especialmente com o avanço da idade. E, apesar de afetarem a mesma glândula, são problemas distintos e precisam de abordagens diferentes.

O câncer de próstata, desconsiderando os tumores de pele, é o tipo de câncer mais frequente entre os homens. Ao longo da vida, cerca de um em cada oito homens pode desenvolver a doença. Já a hiperplasia prostática benigna (HPB), também conhecida popularmente como próstata aumentada, é ainda mais comum: um em cada três homens com mais de 60 anos apresenta sintomas relacionados à condição. Entre aqueles com mais de 80 anos, essa proporção chega à metade.

“Grande parte dos homens sabe que precisa fazer o acompanhamento da próstata, mas não entende muito bem o que é o crescimento benigno, que chamamos de HPB, e o que é o tumor maligno, o câncer de próstata. As pessoas confundem uma coisa com a outra, e isso pode atrapalhar o cuidado com a saúde”, explica o Dr. Fábio Ortega, cirurgião urológico e um dos médicos fundadores do Dr. Ajuda.

O que é hiperplasia prostática benigna e o que é câncer de próstata?

A hiperplasia prostática benigna é caracterizada pelo aumento do número de células da próstata. A partir dos 50 anos, a glândula pode começar a crescer, embora a medicina ainda não tenha conseguido explicar completamente por que isso acontece. Nesse processo, as células mantêm características e comportamentos semelhantes.

No câncer de próstata, por outro lado, ocorre uma mutação no material genético de uma célula, que passa a apresentar características diferentes das células normais. Essas células modificadas podem se multiplicar, viver por mais tempo e invadir estruturas próximas. Também podem atingir a circulação e se estabelecer em outras partes do corpo, dando origem às metástases.

No caso do câncer de próstata, os principais locais de metástase são os ossos e os gânglios linfáticos, também chamados de linfonodos.

“Essa diferença não fica apenas na aparência das células. As células cancerígenas podem apresentar um comportamento diferente. Elas se multiplicam mais, vivem por mais tempo, invadem órgãos próximos ou alcançam outras regiões do corpo, onde podem começar a se multiplicar. É isso que chamamos de metástase”, esclarece o médico.

Onde cada problema começa na próstata?

A localização em que cada condição se desenvolve dentro da próstata também ajuda a explicar as diferenças entre elas.

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal por onde a urina passa. De maneira didática, pode ser comparada a uma pequena mexerica: a parte externa corresponde à casca, enquanto a região interna corresponde aos gomos.

A hiperplasia prostática benigna costuma surgir na parte interna da glândula, próxima ao canal da urina. Já o câncer de próstata se origina, na maioria das vezes, na região externa. Segundo o Dr. Fábio Ortega, aproximadamente 95% dos tumores têm origem nessa área.

Essa diferença de localização tem relação direta com os sintomas apresentados pelos pacientes.

Quais são os sintomas da próstata aumentada?

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Como a HPB se desenvolve na região interna da próstata, seu crescimento pode comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina. Entre os principais sintomas estão:

  • Jato urinário mais fraco e demora para esvaziar a bexiga
  • Jato de urina intermitente, que começa e para durante a micção
  • Gotejamento ao final da urina
  • Necessidade de fazer força com a barriga para começar ou terminar de urinar
  • Sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada
  • Vontade de urinar em intervalos menores que duas horas
  • Necessidade de acordar mais de uma vez durante a noite para urinar, condição chamada de noctúria
  • Urgência para ir ao banheiro

A HPB também pode estar associada a complicações, como infecção urinária, formação de pedras na bexiga e retenção urinária aguda, quando o paciente não consegue urinar.

“Como o crescimento benigno ocorre no miolo da próstata, à medida que a glândula aumenta, ela pode apertar o canal da urina. É por isso que surgem os sintomas urinários”, explica o Dr. Fábio.

O câncer de próstata causa sintomas?

Diferentemente da HPB, o câncer de próstata geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais. Isso acontece porque, na maioria das vezes, o tumor se desenvolve na região externa da glândula, mais distante do canal da urina.

Os sintomas urinários podem aparecer em casos específicos, como quando o tumor cresce bastante e passa a comprimir a uretra ou quando se origina na região central da próstata, situação menos frequente.

Por isso, a ausência de sintomas não significa que o homem não tenha câncer de próstata. O acompanhamento médico e a avaliação dos exames são importantes para investigar a doença.

Como diferenciar próstata aumentada e câncer de próstata nos exames?

Um dos principais exames utilizados na avaliação da próstata é o PSA, sigla para antígeno prostático específico. Trata-se de uma substância produzida pela glândula e que pode ser identificada por meio de um exame de sangue.

De acordo com o Dr. Fábio Ortega, o câncer de próstata geralmente produz mais PSA. Por isso, a concentração dessa substância pode fornecer informações importantes durante a investigação.

O toque retal também faz parte da avaliação. Durante o exame, o urologista analisa a consistência da próstata, especialmente da região externa, onde se origina a maioria dos tumores.

O tratamento da próstata aumentada é diferente do tratamento do câncer?

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Sim. Como são condições diferentes, a hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata exigem tratamentos específicos.

Nos casos de HPB, o tratamento inicial geralmente envolve medicamentos que podem relaxar a próstata e facilitar a passagem da urina ou reduzir o crescimento da glândula. Quando o tratamento clínico não apresenta bons resultados, ou por opção do paciente, a cirurgia pode ser indicada.

O procedimento tem como objetivo retirar a parte interna da próstata que está comprimindo o canal da urina, preservando a região externa. Essa abordagem pode ser realizada por raspagem, laser, laparoscopia, cirurgia robótica ou cirurgia aberta, entre outras técnicas.

No câncer de próstata em fases iniciais, a cirurgia para retirada de toda a glândula é um dos principais tratamentos e apresenta grandes chances de cura. Isso porque, diferentemente do que acontece na HPB, retirar apenas a parte interna não é suficiente para tratar o tumor.

A radioterapia e a braquiterapia também podem ser indicadas, atuando em toda a próstata ou na área afetada pelo tumor. Já nos casos avançados, quando a doença apresenta metástases, o principal tratamento é a hormonioterapia, realizada por meio de injeções e comprimidos. Nessa situação, o objetivo é controlar a doença, e não promover a cura.

Quando procurar um urologista?

Tanto a próstata aumentada quanto o câncer de próstata fazem parte da realidade de muitos homens. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar a saúde da glândula, investigar sintomas e identificar possíveis alterações.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, homens com mais de 50 anos devem realizar exames de rastreamento do câncer de próstata. Além disso, quem apresenta sintomas urinários ou qualquer suspeita deve procurar avaliação médica. O especialista indicado para esse acompanhamento é o urologista.

“Se você tem sintomas ou alguma suspeita, procure um médico quanto antes. O acompanhamento é importante tanto para investigar o crescimento benigno quanto para identificar o câncer de próstata”, orienta o Dr. Fábio Ortega.

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