Como é a dor de uma cólica?

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Muitas mulheres sofrem com cólicas todos os meses acreditando que essa dor é normal e faz parte da menstruação. Mas não é bem assim: cólicas muito intensas, especialmente quando acompanhadas de dor pélvica forte, não devem ser normalizadas e podem indicar uma condição que precisa de investigação e tratamento.

Segundo a Dra. Denise Yanasse, médica ginecologista e uma das fundadoras do Dr. Ajuda, a cólica menstrual, também chamada de dismenorreia, ocorre durante a menstruação. Nesse período, o útero precisa eliminar o endométrio, camada que reveste sua parte interna e descama mensalmente. Para isso, ele se contrai, assim como acontece com outros músculos do corpo, provocando as cólicas.

“Essas contrações são causadas por substâncias chamadas prostaglandinas. Quanto mais prostaglandina você produz, mais forte a contração e, portanto, mais dor. Geralmente tem liberação dessas substâncias mais no início da menstruação, por isso temos mais dor nos primeiros dias”, comenta a médica.

Quais os tipos de cólica?

1. Dismenorreia primária. É a cólica comum, causada só por essas contrações normais, mencionadas acima. Não tem nenhuma doença associada e geralmente acontecem no início das primeiras menstruações.

2. Dismenorreia secundária. É quando existe uma doença causando a dor. Pode ser endometriose, miomas, infecção. Nestes casos, a dor costuma ser bem mais intensa, durar mais tempo e pode começar anos após a primeira menstruação.

Saber reconhecer a diferença é fundamental. A primeira você controla com medidas simples. A segunda precisa de diagnóstico e tratamento específico.

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Quando a mulher deve se preocupar com a cólica?

Segundo a Dra. Denise, são cinco sinais de alerta!

Sinal 1: quando a dor é incapacitante. A mulher não consegue trabalhar, não consegue estudar, fica de cama, precisa faltar nos compromissos.

Sinal 2: mesmo tomando os remédios comuns para dor, e até mesmo aumentado sua dose, eles deixam de funcionar e não controlam mais o sintoma.  

Sinal 3: a dor piora com o tempo e a cólica fica mais forte a cada mês, cada ano. Isso indicar que tem alguma doença progredindo.

Sinal 4: a mulher apresenta outros sintomas durante a menstruação, como dor para evacuar; intestino ou urina ficam diferentes no período menstrual; tem dor na relação sexual ou está tendo dificuldade para engravidar; tem dor mesmo fora do período menstrual. Esses são sintomas que podem indicar endometriose.

Sinal 5: o sangramento é muito intenso ou irregular e é preciso trocar de absorvente com muita frequência. Há presença de coágulos grandes, anemia e sangramento entre as menstruações.  

“Tem mais duas situações associadas a cólicas que quero chamar a atenção. Se a mulher está grávida, pode ser uma gravidez ectópica, fora do útero, ou até mesmo um aborto. Se a paciente tem febre, tem corrimento ou dor na relação, pode ser uma infecção”, comenta a Dra. Denise.

Quais as principais causas de cólicas menstruais?

Além da cólica primária, as causas mais comuns de cólica intensa são:

1. Endometriose: doença benigna em que o tecido que deveria estar só dentro do útero cresce em lugares errados, como no ovário, intestino, bexiga, atrás do útero. Esse tecido também menstrua, mas não tem por onde sair, causando inflamação intensa, aderências e muita dor.

2. Miomas uterinos: tumores benignos, ou seja, não são câncer. Dependendo da localização e tamanho, podem causar sangramento aumentado e cólicas mais fortes.

3. Adenomiose: é parecida com endometriose, mas o tecido cresce dentro da parede do útero, causa cólicas intensas e sangramento aumentado, e é mais comum depois dos 35, 40 anos de idade.

4. Doença inflamatória pélvica: é uma infecção dos órgãos reprodutores causados por bactérias, geralmente infecções sexualmente transmissíveis não tratadas.

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E como é feito o diagnóstico?

Primeiramente, é necessário procurar um médico ginecologista. Ele vai realizar o exame físico, que já dá muitas pistas da causa do problema. Depois, em muitos casos, também é indicado um exame de tração pélvica ou transvaginal. A depender da condição, ainda serão necessários exames um pouco mais específicos, como a ressonância de pélvica, exames de sangue, culturas vaginais, histeroscopia e a videolaparoscopia.

O que alivia a cólica menstrual?

O tratamento vai depender da causa.

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Para cólica primária, há anti-inflamatórios e analgésicos. Uma dica importante: tome antes da dor começar ou bem no início da dor. Não deixe ela ficar forte, pois quanto mais intensa, mais difícil o controle.

“Os anticoncepcionais hormonais também podem ser usados sem pausa para evitar a menstruação, ou, mesmo que menstrue, muitos diminuem o fluxo e acabam por melhorar as cólicas também. Além disso, a mulher pode usar calor no local, como bolsa de água quente na barriga ou adesivos térmicos”, pontua.

Para a cólica secundária, o tratamento também depende da causa. Se for endometriose, pode-se usar medicamentos hormonais para controle dos sintomas.

“Em casos mais graves ou que não respondem a tratamentos com hormônios, ou se tiver dificuldade para engravidar, pode ser indicada uma cirurgia para remover as lesões de endometriose. Nos miomas, em alguns casos usa-se medicamentos para diminuir o fluxo menstrual ou até mesmo para não menstruar. A depender do tamanho, resposta com tratamento e localização do mioma, a cirurgia está indicada”, explica a Dra. Densise.

Na adenomiose, métodos hormonais, como o DIU hormonal, costumam melhorar bastante os sintomas. Em casos graves que não respondem ao tratamento medicamentoso, pode haver necessidade de cirurgia. No caso das infecções, o tratamento é com antibiótico e é urgente.

Veja as informações completas no canal do Dr. Ajuda:

Dismenorreia, Endometriose e Miomas: Entenda as causas e tratamentos para a cólica