Como identificar se o sarampo voltou?

Se você acredita que o sarampo é uma doença do passado, é hora de ficar atento. Embora o Brasil tenha recuperado, em 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo, o vírus continua representando uma ameaça devido à possibilidade de reintrodução por pessoas infectadas em outros países e à existência de populações com vacinação incompleta.
Em 2026, o cenário voltou a exigir atenção. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 23 casos de sarampo em São Paulo. Diante desse cenário, o governo passou a ampliar temporariamente a recomendação de vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos.
Mas afinal, como reconhecer o sarampo?
O sarampo é uma doença infecciosa causada pelo vírus do sarampo e está entre as doenças mais contagiosas conhecidas. A transmissão acontece principalmente por meio de partículas respiratórias eliminadas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Por ser altamente transmissível, uma pessoa infectada pode rapidamente levar o vírus a outras pessoas que não estejam protegidas. Antes da vacinação em massa, o sarampo era uma doença muito comum na infância e estava associado a milhares de hospitalizações e mortes. A vacinação mudou radicalmente esse cenário e permitiu que diversos países, incluindo o Brasil, alcançassem a eliminação da circulação endêmica do vírus.
Para a infectologista Dra. Juliana Framil, manter a atenção é fundamental mesmo quando os casos estão baixos.
“O sarampo é uma doença altamente contagiosa e que pode evoluir com complicações importantes. O fato de termos conseguido eliminar a circulação endêmica no Brasil não significa que o risco desapareceu. Enquanto houver circulação do vírus em outras regiões do mundo, existe a possibilidade de reintrodução, principalmente quando encontramos pessoas sem a proteção adequada pela vacinação, explica.
Quais são os sintomas do sarampo?
No início, o sarampo pode ser facilmente confundido com uma gripe ou outra infecção respiratória. Os principais sintomas incluem:
- Febre alta, geralmente acima de 38,5 °C
- Tosse seca
- Coriza
- Conjuntivite
- Mal-estar intenso
- Manchas vermelhas na pele

Um dos sinais mais característicos é o aparecimento das manchas vermelhas, chamadas de exantema. Elas costumam surgir entre três e cinco dias após o início da febre, inicialmente no rosto e atrás das orelhas, e depois se espalham para outras regiões do corpo.
Também podem aparecer as chamadas manchas de Koplik, pequenas manchas esbranquiçadas na parte interna das bochechas, que são consideradas um sinal característico da doença.
“Um ponto importante é observar a combinação dos sintomas. Febre alta associada a tosse, coriza ou conjuntivite e, posteriormente, ao aparecimento das manchas vermelhas deve levantar a suspeita de sarampo, especialmente em pessoas que não estão adequadamente vacinadas ou que tiveram contato com alguém infectado”, explica Juliana.
Sarampo pode causar complicações?
Sim. Embora muitas pessoas se recuperem, o sarampo pode evoluir de forma grave, principalmente entre crianças pequenas, gestantes, pessoas imunocomprometidas e outros grupos mais vulneráveis.
Entre as possíveis complicações estão: otite; diarreia; pneumonia; laringotraqueobronquite; encefalite; outras complicações neurológicas e respiratórias.
Em situações graves, a doença pode levar à hospitalização e até à morte. Por isso, o sarampo não deve ser encarado como uma simples doença da infância.
“O sarampo não é apenas uma doença que provoca manchas e febre. As complicações podem ser graves, principalmente nos grupos mais vulneráveis. Por isso, a prevenção é tão importante”, alerta a infectologista.
Como o sarampo é transmitido?
A transmissão ocorre principalmente pelas vias respiratórias. O vírus pode ser eliminado quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.
A doença apresenta uma característica que favorece ainda mais sua disseminação: a pessoa pode transmitir o vírus antes mesmo do surgimento das manchas na pele.
Além disso, partículas virais podem permanecer suspensas no ar em ambientes fechados, aumentando o risco de transmissão para pessoas suscetíveis.
Por esse motivo, quando existe suspeita de sarampo, é importante procurar atendimento médico e seguir as orientações das autoridades de saúde para evitar a exposição de outras pessoas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela avaliação clínica e epidemiológica. A presença de febre e manchas pelo corpo associadas a sintomas respiratórios, além do histórico de vacinação, viagens e contato com casos suspeitos ou confirmados, pode levantar a suspeita.
A confirmação laboratorial pode envolver a coleta de sangue para pesquisa de anticorpos e de amostras respiratórias e/ou urina para identificação do vírus.
A investigação rápida é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para que as autoridades de saúde possam adotar medidas de controle e interromper possíveis cadeias de transmissão.
A melhor proteção contra o sarampo é a vacinação!

A vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir o sarampo e suas complicações.
No Brasil, a proteção é oferecida por meio das vacinas tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e tetraviral, que também protege contra varicela.
De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, a rotina infantil prevê a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses. Para adolescentes e adultos, a recomendação depende da idade, do histórico vacinal e de situações específicas.
Atualmente, pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação de vacinação contra o sarampo conforme o calendário e o histórico vacinal. Em situações de circulação do vírus, as autoridades de saúde podem adotar estratégias adicionais.
Em julho de 2026, por exemplo, o Ministério da Saúde recomendou a ampliação temporária da vacinação contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A chamada dose zero, aplicada a crianças de 6 a 11 meses em determinadas situações epidemiológicas, não substitui as doses de rotina previstas posteriormente.
Quem não pode receber a vacina?
A vacina tríplice viral contém vírus vivos atenuados e possui contraindicações específicas. Entre elas estão a gestação e determinadas condições de imunossupressão. Por isso, pessoas nessas situações devem receber orientação individualizada de um profissional de saúde.
“A vacinação não protege apenas quem recebe a dose. Quando conseguimos manter uma alta cobertura vacinal, também reduzimos a circulação do vírus e protegemos indiretamente pessoas que não podem ser vacinadas por determinadas condições de saúde”, destaca a especialista.
Veja as informações completas:
