O que acontece se a pessoa for picada por um carrapato?

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Encontrar um carrapato preso à pele pode causar preocupação, principalmente pelo risco de transmissão de doenças. Entre as infecções relacionadas à picada do carrapato está a febre maculosa, uma doença causada por bactérias do gênero Rickettsia, que pode apresentar desde quadros leves até formas graves e potencialmente fatais.

De acordo com a Dra. Juliana Framil, infectologista, a febre maculosa é uma doença infecciosa, febril, que tem início abrupto e uma gravidade variável.

Como a febre maculosa é transmitida?

A infecção ocorre quando a pessoa é picada por um carrapato infectado. No Brasil, carrapatos do gênero Amblyomma são os responsáveis pela transmissão da doença.

Entre eles está o chamado carrapato-estrela, associado a ambientes onde também podem estar presentes animais como capivaras, cavalos e antas.

“É importante destacar que a presença de um carrapato no corpo não significa que a pessoa necessariamente terá febre maculosa. Para ocorrer a transmissão, é necessário que o carrapato esteja infectado. Além disso, a pessoa pode não perceber a picada ou sequer se lembrar de ter encontrado um carrapato no corpo. Por isso, a ausência desse relato não exclui a possibilidade da doença quando existe histórico de exposição a uma área de risco”, comenta a infectologista.

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Quais são os sintomas da febre maculosa?

Os sintomas costumam começar de forma súbita e, inicialmente, podem ser inespecíficos. Os mais comuns incluem:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular
  • Mal-estar
  • Náuseas e vômitos
  • Dor abdominal e diarreia

Também podem surgir manchas vermelhas na pele, que frequentemente aparecem entre o segundo e o sexto dia da doença. Elas podem começar nos punhos e tornozelos e atingir as palmas das mãos e as plantas dos pés.

“Nas fases iniciais, a febre maculosa pode ser confundida com outras doenças que também provocam febre, como dengue e leptospirose. Por isso, o histórico epidemiológico é muito importante para levantar a suspeita”, explica a Dra. Juliana.

A febre maculosa pode ser grave?

Sem tratamento adequado e oportuno, a doença pode, sim, evoluir para complicações graves. Inclusive, nos casos mais graves, podem ocorrer alterações neurológicas, insuficiência respiratória e renal, hemorragias e comprometimento de diferentes órgãos. Por isso, a febre maculosa é uma doença que exige diagnóstico e tratamento rápidos.

O diagnóstico considera, principalmente, a combinação entre sintomas, histórico de exposição e exames laboratoriais.

O médico deve investigar se a pessoa esteve recentemente em áreas de mata, fazendas, trilhas ou outros locais onde possa ter ocorrido contato com carrapatos. A confirmação laboratorial pode ser feita por sorologia. Nesse caso, são coletadas duas amostras de sangue: uma na fase aguda da doença e outra posteriormente, para avaliar a evolução dos anticorpos. O PCR também pode ser utilizado como método complementar em situações específicas.

Mas existe um ponto fundamental: o tratamento não deve ser adiado enquanto se aguarda a confirmação laboratorial.

Como é o tratamento da febre maculosa?

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Os médicos tratam a doença com antibióticos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente deve iniciar o tratamento imediatamente diante da suspeita clínica, sem esperar o resultado dos exames. A recomendação é manter o tratamento por sete dias ou por pelo menos três dias após o desaparecimento da febre.

Dependendo da gravidade, pode ser necessária internação e administração do antibiótico por via intravenosa, além de medidas de suporte para as complicações.

“O tratamento precoce é uma das principais medidas para evitar a progressão para formas graves. Por isso, diante de febre e possível exposição a carrapatos, é importante procurar atendimento médico rapidamente”, orienta a infectologista.

Quem encontrou um carrapato deve tomar antibiótico?

A resposta é não! Utilizar antibióticos de forma preventiva não é indicada simplesmente porque uma pessoa encontrou um carrapato preso ao corpo. O uso desnecessário de antibióticos pode provocar efeitos adversos e contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana.

O mais importante é retirar o carrapato adequadamente e observar o surgimento de sintomas. Se houver febre ou outros sinais compatíveis, é fundamental procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde sobre a possível exposição.

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Como prevenir a febre maculosa?

A principal forma de prevenção é evitar o contato com carrapatos! Em áreas onde existe risco de transmissão, algumas medidas podem ajudar:

– Usar roupas claras, que facilitam a identificação do carrapato

– Usar calças, botas e blusas de mangas compridas

– Evitar locais com vegetação alta

– Utilizar repelentes indicados para proteção contra carrapatos

– Verificar o corpo e os animais de estimação após atividades em áreas de risco

Se encontrar um carrapato preso à pele, retire-o com uma pinça, puxando-o cuidadosamente e com firmeza. Evite apertar ou esmagar o animal. Depois, lave a área com água e sabão. Quanto mais rápido você retirar o carrapato, menor tende a ser o risco de transmissão.

Existem outras doenças transmitidas por carrapatos?

Existem sim. A chamada “doença do carrapato” não corresponde a uma única doença.

Dependendo da região e do agente infeccioso envolvido, carrapatos podem transmitir diferentes infecções. Entre elas estão a doença de Lyme, a babesiose e a erliquiose.

Na doença de Lyme, por exemplo, o eritema migratório é uma manifestação característica, embora a apresentação clínica possa variar.

No Brasil, porém, a febre maculosa merece atenção especial pela possibilidade de evolução rápida para formas graves.

 “A febre maculosa é uma doença em que o tempo faz diferença. Se a pessoa esteve em uma região de risco e apresenta febre ou sintomas compatíveis, deve procurar atendimento e contar sobre essa exposição. Essa informação pode ser fundamental para que o diagnóstico seja considerado e o tratamento iniciado rapidamente”, finaliza Juliana Framil.

Veja as informações completas:

Picada de Carrapato em humanos: Infectologista alerta para os sinais da Febre Maculosa