Quando a coceira não é candidíase?

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Coceira na vagina é um sintoma de algum outro problema. Mas e quando a coceira não é candidíase? Muitas mulheres já pensam nesta condição, mas, na verdade, o sintoma pode estar relacionado a alguma outra infecção: problema de pele, alguma alergia ou até mesmo câncer.

É normal a coceira vir acompanhada de algum outro sintoma ou característica. E é isso que você deve prestar atenção, pois vai ajudar muito a entender o que está acontecendo com seu corpo.

Como saber o motivo da minha coceira? Conheça as causas mais frequentes

Dra. Denise Yanasse, médica ginecologista e uma das fundadoras do Doutor Ajuda, explica alguns sintomas que exigem atenção.

Alergias: sabonetes, uso de produtos muito perfumados, uso de amaciantes para lavar calcinha, duchas vaginais, lubrificantes, camisinha com látex, dentre outros, podem causar alergias na região da vulva e da vagina, levando a sintomas de coceira e ardência vaginal, que costumam ser localizados na região mais externa.

“Repare se você mudou algum produto de uso íntimo recentemente ou os produtos que usa para lavar as calcinhas. E note também se, além da coceira, há vermelhidão no local”, pontua a médica.

Menopausa: a falta do hormônio estrogênio causa atrofia vaginal. Assim como a pele fica mais fina nesse período, a mucosa e pele da região genital também, causando ardência, coceira e secura vaginal. É um sintoma que costuma ir piorando com o passar do tempo.

Amamentação: também pelas alterações hormonais com queda do estrogênio, pode ocorrer essa secura vaginal, mas que melhora após a parada da amamentação.

Vulva mais branca: o líquen escleroso, que é uma alteração da pele não contagiosa, pode ser outra causa. Além da coceira intensa, pode ocasionar fissuras, apagamento dos pequenos lábios e ardência nas relações.

“É mais comum em mulheres menopausadas, mas pode acontecer antes também”, pontua a ginecologista.

Herpes genital: também causa um pouco de coceira, às vezes até antes do aparecimento das lesões.

Tumor na parte íntima: o surgimento de caroço na vulva ou alguma lesão que não melhora pode ser um sintoma de câncer de vulva.

“Pode aparecer também como uma lesão avermelhada ou esbranquiçada que coça e não melhora, e às vezes até pode sangrar”, alerta a Dra. Denise.

Tipos de infecção na região íntima

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As infecções são as causas mais frequentes. O famoso corrimento e ardência local podem ser sinais.

“A mulher precisa ficar atenta à cor do corrimento e também ao aspecto dele. A candidíase pode estar associada à coceira intensa, irritação, ardência, vermelhidão e inchaço da vulva e também a um corrimento branco e grunhoso. É mais comum em mulheres diabéticas, após o uso de antibióticos, em gestantes e em situações de baixa imunidade”, comenta.  

Cheiro ruim, que parece odor de peixe podre e que piora na menstruação ou após as relações sexuais, pode indicar uma vaginose bacteriana.

“Nesses casos, a secreção geralmente é acinzentada, de aspecto bolhoso, associado à irritação e ardência para urinar ou ter relações sexuais”.

A secreção amarela esverdeada, bolhosa, pode ser tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível que pode causar esses sintomas, além de ardência para urinar ou ao ter relações sexuais, podendo haver inclusive dor e sangramento após as relações.

E como é feito o diagnóstico correto?

Na maioria das vezes, uma ida ao ginecologista já é o suficiente para o diagnóstico. É possível que o médico peça alguns exames de secreção vaginal para avaliar infecções e, em outros, pode ser solicitada uma vulvoscopia, que é um exame que avalia, com uma lente de aumento, a região mais externa. Se houver alguma alteração, pode ser necessária uma biópsia.

Como tratar a coceira íntima?

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O tratamento vai depender da causa identificada, mas existem algumas recomendações gerais importantes. Primeiro, mantenha uma boa higiene íntima, usando água e sabonete neutro. Evite excessos, pois lavar demais pode ser tão prejudicial quanto higiene insuficiente.

Não use duchas vaginais ou produtos perfumados na região íntima, pois podem alterar o pH natural, causar irritação e piorar o problema. Use roupas íntimas de algodão e evite peças muito apertadas.

Troque absorventes com frequência durante o período menstrual. Lave as roupas íntimas separadas das outras roupas e com sabonetes neutros e hipoalergênicos. Evite usar amaciantes ou outros produtos com fragrâncias fortes na calcinha.

“Em caso de candidíase ou outras infecções, medicamentos antifúngicos ou antibióticos podem ser necessários, mas somente após avaliação médica. Não tome medicação por conta própria”, reforça a Dra. Denise.

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Coceira vaginal intensa: como identificar a causa correta